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Bolívia perderá US$ 1 bilhão com venda de gás

A economia boliviana deve perder este ano mais de US$ 1 bilhão por causa da queda nas exportações de gás natural, principal commodity do país. A projeção foi feita pela Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos (CBH). O revés econômico, que ocorre em ano eleitoral, está ligado à diminuição no preço do petróleo no mercado mundial, que regula o preço do gás. Outro fator é a queda na demanda energética, provocada pela crise econômica mundial.
Em 2008, a Bolívia comemorou a entrada de US$ 3,1 bilhões da venda de gás, principalmente aos mercados brasileiro e argentino. No entanto, até o fim deste ano, as vendas bolivianas não passarão de US$ 2 bilhões, segundo projeções da CBH.
A dependência que a Bolívia tem da venda de gás natural é considerada um trunfo em anos de alta demanda energética e de crescimento econômico, mas, quando os preços caem, sua influência é "daninha" para a economia local, de acordo com a CBH.
O Brasil - maior mercado do gás boliviano - reduziu suas compras de 29 milhões de metros cúbicos por dia, em novembro de 2008, quando a crise internacional começou, para 20 milhões de metros cúbicos por dia, em janeiro deste ano.
Além da queda na demanda, o preço do produto também caiu. Em agosto deste ano, os compradores tinham de desembolsar US$ 4,62 por cada milhão de BTU (British Thermal Unit, unidade de medida adotada no setor). Em outubro do ano passado, a mesma quantidade de gás chegou a custar US$ 8,01.
A Argentina, outro mercado importante para o gás boliviano, comprou, em média, 2,48 milhões de metros cúbicos por dia em 2008. Em 2009, a demanda argentina até aumentou, atingindo 5,4 milhões de metros cúbicos diários. O problema é que, se em dezembro de 2008 Buenos Aires pagava US$ 10,3 por cada bilhão de BTU, em agosto deste ano passou a pagar US$ 4,92 - mais da metade do preço.
A queda nas exportações obrigou o governo boliviano a reduzir em 16% sua projeção de ganho para 2010, quando o preço estimado do barril de petróleo deve fica em cerca de US$ 61,5. Segundo analistas, Argentina e Brasil estariam forçando deliberadamente a queda de preços.
O Estado de S.Paulo - 5/12/2009



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