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Depois de ver a produção da Petrobras crescer 5% ao ano, transformá-la na quarta maior companhia de petróleo do mundo e numa poderosa máquina de promoção, o governo federal saiu à busca de outras empresas sob sua alçada, alocadas em setores- chave, que teriam potencial de se tornar também grandes companhias consolidadas.
Neste jogo, o setor de energia acabou sendo uma das principais vedetes dos negócios. Não só pela tradição da Petrobras, que está em sua base, mas também por sua natureza. “O setor elétrico foi um dos poucos que, durante as privatizações do governo FHC, não se consolidaram”, diz o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE),Adriano Pires.
Segundo explica, o que houve de concessão à iniciativa privada ficou concentrado em distribuição – caso de companhias como Coelba (BA), Coelce (CE) e Light (RJ) –, mas em geração e transmissão muito pouco foi feito. “Não se incentivou nem os investimentos privados, nem o estatal”, diz Pires, citando esta inclusive como uma das causas do primeiro grande apagão do país, em2001.
Além disso, energia se encaixa exatamente no tipo de setor que, principalmente em países em desenvolvimento, não se sustenta sem ajuda do governo: projetos de grande porte, com investimentos pesados e retorno de longo prazo. “Ter uma empresa do governo como sócia é inclusive uma forma de viabilizar economicamente um projeto”, defende o analista Walter De Vitto, da Tendências Consultoria, citando a possível entrada da Eletrobrás como uma das sócias na empresa que virá a gerir a usina hidrelétrica de Belo Monte (PA). “Em geral, estas empresas exigem uma taxa de retorno menor, o que acaba puxando para baixo o preço final.”
Eletrobras à frente
Mesmo tendo perdido 75% do mercado de distribuição para a iniciativa privada nos anos 1990, a Eletrobrás nunca deixou de ser a maior empresa de energia do país, e essa estrutura está sendo aproveitada agora.
A companhia voltou a ser uma forte investidora — tem participação em grandes projetos, como a Usina de Santo Antônio, no Rio Madeira, e será sócia de Belo Monte. Também deu início no ano passado a um programa de internacionalização, que já projeta a construção de uma hidrelétrica binacional no Peru e estaria prospectando negócios nos Estados Unidos.
“A Eletrobrás nunca será uma Petrobras. Está em um mercado diferente do de petróleo, mais pulverizado, com mais concorrência”, explica Adriano Pires, do CBIE. “Mas com certeza está trilhando o mesmo caminho de se fortalecer, no sentido de voltar a investir e ser parceira do setor privado.”
Brasil Econômico - 10/02/2010
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