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O Brasil vive um paradoxo. Ao mesmo tempo em que exporta, todos os anos, boa parte dos doutores que forma, precisa trazer de fora profissionais que vão atuar em áreas para as quais o país não dispõe de mão de obra qualificada em número suficiente para atender a demanda interna. O apagão de engenheiros não chega a ser uma novidade, mas a expansão acelerada da indústria nacional de petróleo e gás torna cada vez mais difícil achar engenheiros navais, oficiais de marinha (para conduzir os navios plataforma) e profissionais especializados na instalação e manutenção das unidades de exploração, especialmente das que ficam em alto mar. Nem mesmo a crise financeira do ano passado - que fez cair a emissão total de vistos de trabalho para estrangeiros pelo Departamento de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) - conteve a necessidade de importar trabalhadores para a indústria do petróleo. Ao mesmo tempo, pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2007, estimou que 2,3% da força de trabalho brasileira altamente qualificada (mestre e doutores) atuavam fora do país.
De acordo como MTE, foram emitidas 13.371 autorizações de trabalho para que estrangeiros atuassem a bordo de embarcações ou de plataformas de petróleo no país em 2009. É número 22% maior que o do ano anterior. “São profissionais que vêm ao Brasil prestar serviços como perfuração e manutenção de poços de petróleo”, explica Paulo Sérgio de Almeida, coordenador do Departamento de Imigração do MTE. “Os investimentos nesse setor, apesar da crise, não pararam”, diz Almeida. E foi esse segmento que equilibrou a queda na demanda por vistos a estrangeiros no ano passado, quando foram emitidos pelo MTE 42.914 autorizações de trabalho. Em 2008, haviam sido 43.993, número quase 50% maior que os 29.488 do ano anterior.
Indústria em expansão Marcio Guerra, que é a pessoa do Senai que coordenada as pesquisa de observação das demandas para o mercado de trabalho na indústria, diz que o setor de petróleo é o que mais cresce quando se analisa a quantidade das contratações e o nível de especialização e qualificação exigidos dos profissionais. A Petrobras, por exemplo, prevê dobrar o número de navios- plataforma usados por ela dos atuais 400 para 800 num prazo de dois anos (50 são próprios e o restante, contratados). Mas estima que não terá oficiais de marinha mercante em número suficiente para atender essa demanda. “O Brasil forma 200 profissionais dessa área por ano. É muito pouco”, afirma Mariangela Mundim, gerente de planejamento de RH da empresa. O número é questionado pelo Sindicato dos Oficiais de Marinha Mercante, o Sindmar, que diz que só em 2008, o setor formou 368 oficiais. “Mas boa parte opta por não ficar na profissão. Além disso, não se pode colocar um navio que custa milhões de dólares nas mãos de um recém-formado”, diz Mundim.
A saída tem sido contratar empresas estrangeiras, como a norueguesa Nörsk, para administrar e conduzir alguns desses navios-plataforma, já que a Petrobras, por ser uma estatal, só pode contratar brasileiros - e por meio de concurso - para as suas operações no Brasil.
Brasil Econômico - 4/3/2010
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