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Parques tecnológicos crescem e pedem mais investimentos

O futuro parece promissor: em quase todos os estados brasileiros existem projetos de construção de parques tecnológicos. São quase meia centena, entre aqueles em implantação e os anunciados. Por sua vez, o Ministério da Ciência e Tecnologia promete, para 2010, uma chamada pública no valor de R$ 110 milhões para esses projetos, com valores que variam entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões.
Mas essas previsões são de longo prazo. De fato, no Brasil, os parques tecnológicos, locais criados especialmente para apoiar empresas de ponta em áreas-chave, como biotecnologia, tecnologia e sistemas de informação e comunicação (TIC), são ainda poucos, comparado com outros países, como Japão, Coreia e Estados Unidos, onde eles existem há tempos e funcionam muito bem.
Refletem o baixo investimento em inovação em todo o país - 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). E a falta de uma política pública formal de apoio a essas iniciativas que eleja locais estratégicos para construir um ambiente de excelência.
Avanço lento
“Falta um PAC dos parques tecnológicos”, brinca José Eduardo Fiades, presidente para a América Latina da Associação Internacional de Parques Científicos e diretor do Sapiens Parque, em Florianópolis (SC), um dos maiores dos 25 parques em funcionamento no Brasil. “O resultado é que poucos conseguiram avançar de forma significativa nos últimos anos.”
Ele frisa que o mesmo não se pode dizer das incubadoras, onde ficam empresas nascentes das universidades, que tiveram um crescimento expressivo na última década. São 400 incubadoras em todo o país e a perspectiva é de crescimento da ordem de 30% ao ano, segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec).
“Tanto as incubadoras como os parques fazem parte de um mesmo conceito e têm o objetivo de transformar conhecimento em bens e serviços, e fazer a ponte entre universidade, empresas e governo”, explica Guilherme Ary Plonski, presidente da Anprotec. “A diferença é de escala e o tempo de atuação.”
O aumento das incubadoras reflete, segundo os especialistas, o crescimento da produção científica no Brasil, da ordem de 2,6%, de acordo comum levantamento da Thomson Reuters. Reflete também um avanço em investimento de recursos públicos em apoio à inovação. Mas, diferentemente dos parques, que são ambientes complexos, no qual coexistem centros de pesquisa e desenvolvimento, escolas tecnológicas e laboratórios, as incubadoras abrigam empresas de forma transitória - dois a três anos no máximo. Depois disso, as empresas ali formadas amadurecem e seguem seu próprio caminho.
Geração de empreendedores
O resultado é que existe uma procura muito grande pelas incubadoras, mas a qualidade dos projetos deixa a desejar. “Temos bons pesquisadores, mas é preciso formar uma geração de profissionais bem preparados para analisar editais, entender as linhas de inovação disponíveis e as necessidades do mercado”, afirma Fiades.
Só assim as empresas resultantes e outras já formadas poderão criar um ambiente adequado para os parques, seu segundo estágio. O problema, frisa Fiades, “é quando esses empreendimentos dependem menos da lógica do mercado do que das circunstâncias do governo para se desenvolver. E o risco é de não cumprirem o objetivo para o qual foram criados.”
Brasil Econômico - 11/05/2010



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