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As obras de uma subestação de energia planejada para evitar apagões em ao menos 21 bairros de São Paulo, como Moema (zona sul) e Morumbi (zona oeste), que deveriam estar prontas em abril deste ano, ainda nem começaram.
Enquanto isso, são vários os relatos de miniapagões nessas regiões. Até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, teve de reforçar o sistema de abastecimento emergencial de energia.
Com o atraso, cresce o risco de um apagão de maiores proporções, como o de 2008, quando 2,5 milhões de pessoas ficaram sem luz na cidade devido à sobrecarga na subestação Bandeirantes, que fica ao lado da marginal Pinheiros.
Para que a situação não se repetisse, o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determinou na época a realização de 14 obras emergenciais.
A empresa privada CTEEP (ex-estatal paulista) assinou um contrato com a Aneel no qual se comprometeu a entregar uma linha de transmissão e a subestação Piratininga 2 até 16 de abril de 2010.
A obra atrasou, contudo, devido à demora para obtenção da documentação ambiental.
"Pesadelo"
Mesmo que um apagão maior não tenha ocorrido de novo, são muitas as reclamações de problemas esporádicos. Moradora do Morumbi há um ano e meio, a editora Denise Gonçalves, 39, reclama dos cortes frequentes. "É um pesadelo. Moro no 15º andar de um prédio sem gerador", diz.
Em Moema, comerciantes dizem que é frequente a queda de luz, mesmo em período sem chuva. Segundo Alba Santos, gerente de uma loja na avenida Cotovia, o problema ocorre duas vezes por mês.
Ela diz que no meio do ano passado, na época da seca, a interrupção chegou a oito horas. O risco de apagão foi evidenciado em reunião recente na prefeitura, na qual o representante da CTEEP, Claudio Lara, resumiu: "Sem essa obra, nós temos riscos de apagão, temos riscos de não haver fornecimento de energia".
Procurada pela Folha, a CTEEP não respondeu sobre a possibilidade de falta de energia na zona sul. Disse que a subestação vai minimizar "possíveis riscos de não atendimento ao consumo local".
O diretor do Sindicato dos Eletricitários de SP Washington Aparecido dos Santos afirma que a zona sul já convive com o problema.
"Todos sabem que a região sul cresce de forma desordenada e que a oferta de energia é a mesma. Qualquer problema um pouco maior na Bandeirantes vai desligar tudo", diz.
A Eletropaulo não quis se manifestar sobre o atraso na construção da subestação Piratininga 2, mas nega que esse seja a causa do problema.
O coordenador de Energia da Secretaria de Saneamento e Energia do Estado, Jean Negri, disse que foram feitas adaptações na subestação Bandeirantes para evitar apagões e que problemas como o de 2008 são mais evitáveis hoje.
"Está colocado por nós que essa obra é fundamental e prioritária para a Grande São Paulo. O sistema não é imune, mas já temos a possibilidade de realocação de cargas [de energia na região sul]", diz.
Folha de S.Paulo - 11/05/2010
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