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A indústria nacional de medidores eletrônicos está com dificuldades em atender a demanda das concessionárias de distribuição em 2010. A falta de componentes eletrônicos importados da Ásia, que são utilizados na fabricação dos produtos, é o principal motivo da retração na oferta, segundo apurou a reportagem do Jornal da Energia.
O vice-presidente executivo da Landis+Gyr, Álvaro Dias Junior, conta que há escassez de peças, como capacitores e processadores. “Isso é reflexo da crise de 2009. Os fabricantes chineses haviam diminuído a produção e estão retomando agora. Alguns componentes estão com prazo de entrega de até 50 semanas”, diz.
O executivo afirma que precisou reduzir o contrato de fornecimento de equipamentos para companhias, como a Light, distribuidora do Rio de Janeiro. “O planejamento deles era instalar 120 mil medidores este ano. Ainda não tenho certeza absoluta, estamos negociando com novos fornecedores, mas acredito que conseguiremos entregar no máximo 90 mil”, estima.
Dias Junior conta que o ano de 2010 seria muito bom se não fosse esse problema. “Em 2009, tivemos uma queda de 15% a 20% no faturamento. Neste ano, voltaríamos aos números de 2008”. A esperança da indústria é a situação se normalizar a partir de agosto. “Se isso acontecer, vamos trabalhar em três turnos para atender nossos clientes”, afirma.
Além da Light, a empresa fornece ainda para concessionárias, como a Ampla e a Celpa, que também têm elevados índices de perdas não-técnicas de energia e utilizam medidores inteligentes para impedir ligações clandestinas.
A Landis+Gyr é a única fabricante brasileira que possui um sistema de medição eletrônico homologado pelo Inmetro. O vice-presidente da companhia conta que uma segunda versão deste sistema já foi desenvolvida e que no momento o órgão de metrologia analisa a possibilidade de homologar também esta nova versão.
Dias Junior revela que o novo equipamento possui funções diferentes do primeiro sistema. “A versão atual mede energia ativa e a nova versão já mede ativa e reativa. Além disso, estamos utilizando um rádio mais potente para fazer a comunicação com a distribuidora”, adianta. A expectativa do executivo é que o sistema seja aprovado até meados do segundo semestre deste ano.
A vantagem competitiva da Landis de ser a única empresa com um produto que possui a chancela do Inmetro deve acabar em breve. Segundo apurou o Jornal da Energia, no segundo semestre mais duas indústrias receberão o selo do órgão e poderão comercializar sistemas de medição inteligente. Álvaro Dias Junior afirma que a concorrência é boa para o setor e que, apesar disso, a empresa espera manter a fatia de 30% que detém no mercado atualmente.
Jornal da Energia - São Paulo, 25 de Maio de 2010 - 17:29
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