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Indústria de máquinas cresce 20% com grandes obras e pré-sal

Um movimento silencioso começa a se desenhar nas empresas de bens de capital - segmento que é um dos pontos iniciais das cadeias produtivas e indicador de atividades econômicas futuras - e mostra a participação de novos atores para impulsionar o crescimento do setor. O fornecimento para a Petrobras em função da exploração de petróleo na camada pré-sal tem sido o principal motivador de todo esse movimento. Porém, as novas demandas por equipamentos também se calcam no atendimento à infraestrutura.
Para isso, as encomendas feitas às indústrias de máquinas já começaram a ser registradas desde o fim do ano passado, ainda voltadas para a construção de plataformas. Devem aparecer no balanço dessas empresas até o fim de 2010 e ganhar volume no faturamento do setor a partir do ano que vem. Isso significa, em uma expectativa preliminar calculada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que só o peso do fornecimento de equipamentos para a área de petróleo e energia deve quase duplicar sua participação no faturamento do setor nos próximos anos, passando de 8,4% atualmente para cerca de 15% quando a Petrobras registrar o pico de suas encomendas.
“Por enquanto, as vendas de máquinas para a área de petróleo têm atendido às refinarias, a obras no Nordeste e ao Comperj, mas as matérias-primas para a produção desses equipamentos já começam a ser demandadas de forma diferente”, diz Germano Fehr Neto, presidente do Conselho de Óleo e Gás.
A Petrobras informa que, dados do Portal de Oportunidades da Cadeia de Suprimentos do Setor de Petróleo e Gás Natural, do governo federal, mostram mais de 1,2 mil cadastros de empresas e instituições ligadas à atividade de petróleo e gás natural em todo o País. A empresa estima que este ano haja crescimento de mais de 10% dos fornecedores. Além disso, a companhia contabiliza que, de 2010 a 2014, haja uma demanda de 18.300 bombas; 3.200 compressores, 834 mil válvulas e 3.900 trocadores de calor; 8 milhões de parafusos; 70 mil toneladas de fundidos; 660 mil gaxetas e 15,4 mil toneladas de forjados, com média de US$ 20 bilhões por ano em encomendas a fornecedores brasileiros.
Por se tratar de uma empresa estatal, contudo, os analistas e executivos do setor destacam que o resultado das eleições presidenciais deste ano pode antecipar ou atrasar as estimativas de venda: caso o governo se mantenha, as negociações com a Petrobras devem se manter; caso o governo mude, pode haver atraso até que se decida quem ocupará os cargos.
A expectativa é de que a movimentação da atividade se intensifique ainda mais quando a petrolífera brasileira ultrapassar a fase de construção de plataformas e chegar à demanda por equipamentos de perfuração e extração, que exigem tecnologia ainda mais complexa. Mas o desenvolvimento tecnológico já tem sido exigido mesmo nesta fase inicial das encomendas, envolvendo, por exemplo, matérias- primas que não eram comuns nesses equipamentos, como o aço inoxidável. “O Brasil tem tecnologia para concorrer com EUA e Europa, o que nos falta é competitividade de custo”, avalia o vice-presidente da Abimaq, José Velloso.
O segmento de máquinas para petróleo e energia já é um dos que mais puxam os bens de capital como um todo, com aumento de faturamento acumulado de 109,8% nos últimos cinco anos. Ao lado dele, está o de máquinas para infraestrutura e indústria de base, com crescimento de 145,2% no mesmo período. Interessante notar que, ao longo desses anos, a média de alta do setor, de modo geral, foi de 14,7%, segundo a Abimaq.
Brasil Econômico - 25/05/2010



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