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Geração eólica no Brasil busca nacionalização

Dentro de dois anos, os aerogeradores fabricados no Brasil poderão adicionar pelo menos mais 2.570 megawatts (MW) à matriz energética do país, consolidando o movimento de nacionalização da cadeia eólica. Abertamente incentivada pelo governo federal e defendida por ambientalistas, a geração de energia a partir dos ventos é a fonte alternativa que mais cresce no Brasil. E os investimentos não param.
A Wobben, primeira fabricante eólica a se instalar no Brasil, está retomando os investimentos. No segundo semestre, a empresa, sediada em Sorocaba, irá gerar 300 novos postos de trabalho destinados à sua linha de produção. De acordo com Fernando Scapol, gerente geral industrial da Wobben, a destinação de recursos para ampliação ou construção de novos parques depende do resultado do próximo leilão feito pelo governo federal. “Se for favorável como o primeiro, haverá sem dúvida ampliação do parque”, disse.
A perspectiva da companhia é positiva, e só poderia. Dos 700 MW instalados no país, a empresa fez geradores para produzir 400 MW. Até 2012, sua capacidade de produção deverá ultrapassar 750 MW. Se isso significa a consolidação da geração eólica no país, há cautela. “Ainda não, mas falta pouco. O próximo leilão marcado para agosto vai ser mais um grande passo nessa direção”, avaliou Scapol.
Hoje, além da Wobben, a argentina Impsa também mantém uma fábrica brasileira, localizada na região de Suape, em Pernambuco, que deverá elevar a produção de 460MW para 600MW nos próximos dois anos.
No mesmo período de dois anos devem ser instaladas ainda no Brasil unidades da GE, da Alstom, da Vestas e da indiana Suzlon. Estas são as já anunciadas, mas novos nomes continuam despontando. É o caso da empresa XJ Group Corporation, subsidiária da gigante estatal de energia elétrica State Grid Corporation of China, que acabou de ingressar no Brasil por meio da compra de sete concessionárias de energia. Diretores da companhia se reuniram com o Iberê Ferreira Souza, governador do Rio Grande do Norte, interessados nos projetos eólicos desenvolvidos no estado. Na China, a empresa tem fábricas de aerogeradores.
Outros fornecedores
Além dos aerogeradores, fornecedores de outros componentes dos parques eólicos investem para acompanhar a demanda. A pernambucana Máquinas Piratininga, empresa metalúrgica situada em Jaboatão dos Guararapes, está investindo cerca de R$ 45 milhões na construção de uma nova fábrica que irá produzir 150 torres eólicas ao ano. Segundo Antonio Alves Neto, gerente comercial, a construção, que começa esse mês, deve terminar em dezembro e a unidade entra em operação em janeiro de 2011. “Com a nova fábrica, vamos quadruplicar nossa produção que, atualmente, é de 50 torres ao ano. O investimento é para atender a demanda que estamos projetando”, afirma.
Outra fabricante de torres eólicas, a Tecnomaq, também irá aumentar sua produção. A companhia, que já aplicou R$ 30 milhões este ano para ampliar sua capacidade, prevê novo investimento de R$ 30 milhões para aumentar a oferta da sua fábrica de Aquiraz, região metropolitana de Fortaleza, no Ceará. Apenas com a Suzlon a empresa já tem um contrato para a fabricação de 75 torres.
Brasil Econômico - 10/06/2010



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