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A Metrogas, principal distribuidora de gás canalizado da Argentina, admitiu ontem que não tem condições de honrar suas dívidas e apresentou pedido de concordata à Justiça. O governo interveio na empresa para garantir o abastecimento de gás.
A empresa, controlada pela British Gas e com participação minoritária da YPF Repsol, atribuiu sua fragilidade financeira ao congelamento de tarifas públicas e à alta da inflação (que não aparece nos índices oficiais). Segundo um comunicado enviado ontem à Bolsa de Buenos Aires e à Comissão Nacional de Valores (a CVM argentina), os custos operacionais aumentaram 210% desde 2001, mas suas tarifas de distribuição ficaram "sem nenhuma variação".
Logo após o pedido de concordata, o governo anunciou intervenção na empresa até que a reestruturação da dívida "seja concluída satisfatoriamente".
A Metrogas, que atende toda a Grande Buenos Aires e detém 24% do mercado argentino, acumula cerca de US$ 250 milhões em dívidas. No início de junho, a empresa já havia avisado que não dispunha de recursos suficientes para pagar um vencimento de US$ 20 milhões e pretendia convocar uma assembleia de credores até o fim do mês.
No fim de 2001, ao sair do regime de convertibilidade cambial (um peso valia um dólar), a Argentina congelou boa parte das tarifas de serviços públicos com o objetivo de conter a pressão inflacionária. Desde então, dá subsídios cada vez maiores às concessionárias, mas que dificilmente repõem o aumento de custos operacionais.
O economista Daniel Montamat, ex-secretário de Energia, dá uma dimensão da defasagem de preços. Ele calcula que a tarifa residencial do metro cúbico de gás natural está em US$ 0,07 na Argentina e em US$ 1,96 no Brasil.
No ano passado, o governo autorizou um reajuste, mas voltou atrás após protestos de consumidores. Se tivesse sido implementado, o reajuste teria ajudado a Metrogas "paliativamente", mas "a geração de fluxo de caixa para (pagar) o serviço da dívida continua-ria fraco", diz Daniela Cuan, analista sênior da Moody ' s, que rebaixou a classificação de risco da empresa ao grau mais baixo.
O Ministério do Planejamento, por meio de um comunicado, rebateu as acusações da Metrogas e disse que "não condivide os argumentos expostos" sobre o congelamento de tarifas. De acordo com o ministério, "na origem e na índole dessa dívida, que não guarda nenhuma relação com os investimentos realizados, devem ser buscados os motivos que levaram outras empresas e nosso país à crise de 2001". Para justificar a intervenção, o governo disse que o objetivo é "garantir a normal prestação do serviço público".
A Metrogas havia assegurado, paralelamente ao pedido de concordata, que "a operação da sociedade não se encontra comprometida e que se mantém a qualidade do serviço de distribuição de gás". Outras concessionárias, controladas por multinacionais europeias, já haviam tido conflito com o governo argentino por causa das tarifas. Em 2005, o ex-presidente Néstor Kirchner rescindiu o contrato de concessão dos serviços de água e esgoto com a francesa Suez. A Aerolíneas Argentinas, privatizada nos anos 90, foi reestatizada em 2008 e só tem previsão de voltar ao azul daqui a três anos.
Valor Econômico - 18/6/2010
Indústria e varejo de construção investem
Empresários da indústria e do comércio de materiais de construção aceleram os planos de investimentos. Eles querem aproveitar o forte crescimento do mercado imobiliário e também o aumento do consumo de seus produtos. Redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), expansão do crédito e melhoria da renda dão fôlego à expansão.
Em maio, 71% das indústrias do setor pretendiam investir no aumento da capacidade de produção das fábricas nos próximos 12 meses, revela Pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). "O resultado é mais que o dobro do registrado em maio do ano passado (33%), está acima do obtido em abril deste ano (66%) e bem próximo do pico, que foi abril 2008, quando 72% dos empresários informaram que iriam expandir os investimentos", afirma o presidente da entidade, Melvyn Fox.
Nos primeiros quatro meses do ano, a venda da indústria para o comércio do setor aumentou cerca de 20% na comparação com igual período de 2009. Nas lojas, o acréscimo foi igualmente significativo e atingiu 9,5% até maio na comparação anual, segundo a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).
A Leroy Merlin, que é a varejista líder do setor, vai investir nos próximos cinco anos R$ 1 bilhão no País para chegar a 40 lojas até 2015. Hoje a rede francesa tem 19 pontos de venda espalhados por seis Estados e o Distrito Federal. A cifra é exatamente o dobro da aplicada nos últimos cinco anos, afirma o diretor-geral, Alain Ryckeboer.
"O Brasil é um mercado promissor e se tornou prioritário para os investimentos da companhia numa lista de 12 países", afirma. Até março, as vendas da empresa cresceram 40%, muito acima da meta que era de 30% e da média registrada pelo IBGE, que foi de 16,5% no período para o varejo do setor.
Motor. Ryckeboer explica que a redução do IPI para os materiais de construção é um motor importante para o crescimento de vendas porque ajudou a classe C a reformar a casa. Além disso, ele observa que a própria dinâmica da construção civil, com o lançamento de novos empreendimentos, está impulsionando a venda. Ele observa que o risco de faltarem alguns itens básicos, como por exemplo tubos de resina plástica, "é uma preocupação".
Grupo Tigre. O grupo Tigre, que fabrica tubos e conexões, pincéis, portas e janelas em PVC acelerou os investimentos. A empresa aplicou R$ 150 milhões para ampliar a capacidade de produção das fábricas. Mesmo com essa expansão, hoje as fábricas trabalham com apenas 15% de ociosidade. Neste ano, a companhia vai desembolsar mais R$ 200 milhões no desenvolvimento de novas tecnologias.
O que motivou a decisão de ampliar os investimentos foi o desempenho excepcional de vendas da companhia, que cresceram 30% no primeiro quadrimestre na comparação com igual período de 2009. "Vamos ter em 2010 o melhor ano da história da empresa", afirma o presidente do grupo, Evaldo Dreher.
O ano de 2008 já tinha sido o melhor para o grupo Tigre, que atua no País desde 1941. Em 2009, apesar da crise, a companhia repetiu o desempenho 2008 e, agora, poderá superá-lo, na opinião do presidente da empresa. As vendas de materiais voltados para a construção civil residencial têm garantido o crescimento. Quanto à escassez de itens, Dreher diz que tem estoques, mas eles estão girando mais rápido do que em 2009.
"Neste momento a situação está administrável, com a extensão do prazo de entrega", afirma André Martinho, diretor comercial da Fise, indústria especializada em fechos e puxadores para esquadrias de alumínio. Em épocas normais, o prazo para a entrega dos componentes era de 7 dias. Hoje chega a um mês.
O maior prazo de entrega se deve não só ao aumento das vendas, que cresceram 73% entre janeiro e maio na comparação anual com 2009 e 32% ante 2008, mas também à escassez de matéria prima. Segundo o empresário, há dificuldades para comprar alumínio laminado no País. A empresa acaba de investir R$ 1,6 milhão em equipamentos, instalações, gestão, inovação e pesquisa.
Preste atenção...
1. Vendas. 91% das indústrias de materiais de construção estão otimista em relação ao desempenho das vendas para este mês, segundo a Abramat;
2. Expectativas. 80% dos fabricantes de materiais de construção têm expectativas favoráveis em relação à continuidade das ações do governo setor, como a manutenção do corte do IPI sobre os produtos e as novas etapas do programa habitacional Minha Casa Minha Vida e do PAC.
O Estado de S.Paulo - 18/6/2010
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