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A Espanha elegeu o Brasil como um destino firme para suas pequenas e médias empresas nos próximos anos, que vai fortalecer uma terceira onda de investimentos daquele país. A primeira veio no final da década de 1990, com a entrada maciça de capital ibérico por meio de grandes conglomerados, como o grupo Telefônica e o banco Santander.
A segunda se materializou em 2007, quando 200 companhias de serviços e infraestrutura de médio porte investiram o equivalente a € 3 bilhões (R$ 6,8 bilhões). “Agora, entraremos também com empresas de tecnologia e inovação”, avisa José García-Morales, Diretor do Departamento de Relações Internacionais da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (Ceoe), equivalente à nossa Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Não se trata de retórica. O governo espanhol e as entidades empresariais locais trabalham há dois anos em um programa batizado Plano Brasil, com metas específicas para atuar dentro de parcerias público privadas, por meio dos estados brasileiros. “Estamos em contato com os principais estados e já recebemos missões empresariais do Rio, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo”, conta García-Morales, extremamente familiarizado com projetos brasileiros, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ou aqueles aprovados no Congresso, que estabelecem marcos regulatórios de searas de interesse. “Já estamos em infra-estrutura, tecnologia da informação, seguros e serviços. Agora estamos muito interessados na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, mas também em ferrovias, seguros e tratamento de água, além de biotecnologia e energia eólica”, completa o executivo.
A oferta de € 7,15 bilhões do grupo Telefônica pela participação da Portugal Telecom na operadora Vivo vem coroar esse movimento de capitais espanhóis no Brasil.
Convergência
De um lado, o momento difícil da economia espanhola obriga o empresário local a se mexer em busca de novos destinos para investimentos. De outro, o Brasil entra como parceiro preferencial ao reunir um cenário doméstico com alta demanda interna e enormes possibilidades de investimentos previstos para os próximos anos. “As empresas de médio porte que não tinham interesse em sair estão vendo agora que a diversificação com a entrada em outros países é interessante”, diz José Juan Ruiz, economista-chefe para a América Latina do banco Santander.
O vice-presidente do banco para a América Latina, Francisco Luzón, avalia que a Espanha já investiu bastante, tanto em termos de talentos como recursos, e agora é que a América Latina trará os resultados esperados uma década atrás. “É o momento de manter o que temos e ainda investir um pouco mais”, avalia.
Do lado de cá, advogados e consultores, os primeiros conselheiros de empresas interessadas no Brasil, veem com entusiasmo o interesse dos espanhóis e a continuidade dos fluxos de investimentos por aqui.
O escritório Dias Carneiro Advogados trabalha desde 2002 em associação com o espanhol Uría Menéndez e tem cerca de 80% de clientes europeus – a maioria espanhóis. “Coma crise, o mercado espanhol não tem como oferecer grandes possibilidades de crescimento às empresas e elas procuram oportunidades fora da Espanha. E o Brasil, com o cenário de crescimento atual e com potencial enorme de projetos na área de infraestrutura e por conta de grandes eventos como Copa e Jogos Olímpicos, ganha destaque no interesse dos espanhóis”, diz o sócio do Uría Menéndez, Luis Acuña.
Brasil Econômico - 19/7/2010
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