|
O acesso à rede de esgoto pode valorizar o preço de um imóvel em até 18%, segundo a pesquisa "Benefícios econômicos da expansão do saneamento básico", divulgada ontem pelo Instituto Trata Brasil e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O efeito é considerado positivo pelos pesquisadores, pois como o déficit de saneamento está mais presente em locais de baixa renda, cresceria o aumento do valor dos imóveis de famílias que normalmente têm a moradia como único bem.
A pesquisa mostra que a valorização imobiliária geraria uma riqueza 49% maior do que os investimentos necessários para a universalização do saneamento no país. A estimativa do estudo é que para levar o serviço de esgoto a todas as residências seria preciso investir R$ 49,8 bilhões. A valorização dos imóveis, por sua vez, alcançaria R$ 74 bilhões, compensando os investimentos.
Para chegar a esse percentual de valorização do imóvel, a pesquisa considerou o valor médio das residências em uma cidade de 100 mil habitantes com características de um município de porte médio no Brasil. Sem coleta de esgoto, o preço médio das casas, no ano de 2009, seria de R$ 35,5 mil. Com total acesso à rede, o preço médio chega a R$ 42 mil.
O percentual de 18% de valorização do imóvel, porém, é referente a locais de acesso precário ao serviço. Na média nacional, a estimativa é de que a universalização do esgoto valorizará em 3,3% o preço das casas.
Dessa forma, por exemplo, no Estado de Rondônia, onde o déficit de ligações de esgoto é de 1,37 milhão, a valorização imobiliária deve ser de 15,4% (ou R$ 5 mil), enquanto no Distrito Federal, com um déficit de 0,32 milhão de ligações, o aumento dos imóveis deve ser de 0,5% (ou R$ 342).
A pesquisa calculou também os ganhos que a valorização imobiliária traria para os cofres públicos, por meio principalmente do aumento da arrecadação do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto Sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI). No longo prazo seriam arrecadados R$ 385 milhões a mais ao ano em IPTU e R$ 80 milhões por ano em ITBI.
Os investimentos em saneamento também têm impacto na produtividade dos trabalhadores, segundo o estudo. O levantamento da FGV mostra que em um ano as empresas gastaram R$ 547 milhões em horas não-trabalhadas de funcionários afastados por infecções gastrintestinais, em função da falta de saneamento.
Da mesma forma, as internações custam ao setor público. Os governos poderiam economizar R$ 745 milhões ao ano com a universalização do saneamento, considerando uma queda do número de internações por infecções gastrintestinais dos 462 mil casos atuais para 343 mil, diz a pesquisa.
Apesar do aumento dos investimentos em água e esgoto no país de 2003 a 2008 - R$ 2 bilhões para R$ 4,8 bilhões -, o acesso ainda deixa a desejar. O levantamento revelou que 57% da população brasileira ainda não têm acesso a esgoto tratado e 19% não contam com o abastecimento de água.
Valor Econômico - 21/7/2010
|