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Entra em vigor no dia 12 de maio a Norma Brasileira de Desempenho de Edifícios (NBR 15.575, Partes 1 a 6). Com isso, os sistemas que compõem os edifícios, como as instalações hidrossanitárias, estruturas, pisos, fachadas e coberturas, dentre outros, terão de atender obrigatoriamente a um nível de desempenho mínimo ao longo de uma vida útil.
Diversos seminários e estudos têm sido realizados
para avaliar o impacto dessa norma para a
construção civil brasileira, mas, afinal o que
muda para os usuários de imóveis? O que significa
um bom desempenho de um edifício ou dos sistemas que o
compõem?
Desde a década de 60, nos países desenvolvidos, a
definição de desempenho de
edificações está associada ao
comportamento dos empreendimentos quando em
utilização. O edifício é um
produto que deve apresentar determinadas características que
o capacitem a cumprir funções para as quais foi
projetado, quando submetido a determinadas
condições de exposição e
uso; assim, ele é considerado “bem
comportado” quando atende aos requisitos para o qual foi
projetado. Tal conceito se aplica de maneira ampla na
Indústria da Construção, focando quase
sempre o desempenho alvo requerido para os processos de
negócio e o atendimento às necessidades dos
usuários ao longo do ciclo de vida das
construções.
Um marco importante para a aplicação do conceito
de desempenho foi a elaboração da ISO 6241, em
1984, que definiu uma lista-mestra de requisitos funcionais dos
usuários de imóveis. Essa ISO ainda é
válida como referência para a
consideração dos requisitos de desempenho a serem
atendidos. A lógica é a mesma adotada na Norma
Brasileira de Desempenho, com os requisitos enquadrados num
nível qualitativo (a segurança estrutural, por
exemplo), os critérios quantitativos (como a
resistência de uma viga) e os métodos de
avaliação para a
verificação do atendimento ou não do
critério.
O grande desafio na utilização da abordagem de
desempenho na construção civil é a
tradução das necessidades dos usuários
em requisitos e critérios que possam ser mensurados de modo
objetivo, dentro de determinadas condições de
exposição e uso, e que sejam viáveis
técnica e economicamente.
Outro aspecto importante são as
condições de exposição a
que as edificações estão sujeitas e
que dependem dos agentes que atuarão sobre elas. Estes podem
ter origem interna (ações dos próprios
usuários) ou externa, serem provenientes de
várias naturezas (chuvas, ventos, etc.) e envolvem ainda um
caráter sistêmico e probabilístico.
Já as condições adequadas de uso e
operação são definidas em projeto, e o
seu não-atendimento pelos usuários pode afetar
diretamente o desempenho esperado. Da mesma forma, as
condições de operação das
edificações, especialmente a
implementação de programas de
manutenção corretiva e preventiva,
também interferem no desempenho esperado ao longo do tempo.
Apesar de o Brasil estar atrasado na aplicação
prática da abordagem de desempenho, é muito
bem-vinda a publicação da Norma Brasileira de
Desempenho de Edifícios, que permitirá que os
consumidores de imóveis tenham um poderoso instrumento para
avaliar e comparar o desempenho de unidades produzidas pelo mercado.
Por: Carlos Alberto Borges, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade
do Secovi-SP e superintendente da ABNT CB 02 –
Comitê Brasileiro da Construção Civil. |